BRASÍLIA – AGENCIA CONGRESSO – Foi uma sessão para lavação de togas sujas do Supremo Tribunal Federal (STF), e não para decidir sobre as suspeitas que pairam sobre os próprios membros da Corte.
Vergonha; define o que o país parou para ver ontem pela TV Justiça. A ministra Cármen Lúcia disse estar em estado de “profunda consternação e tristeza”. Foi a única.
O julgamento foi convocado para discutir o relatório que aponta a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Se o ministro deveria ou não ser investigado.
Mas foi suspenso após o ministro Flávio Dino – aliado de Alexandre – pedir vista. Mendonça também usou a relatoria do Master para ajudar a eleger Flavio Bolsonaro, filho de Jair, que o indicou para o STF.
O STF hoje está dividido em três grupos; quatro ‘petistas’ contra três ‘bolsonaristas’. E três indecisos.
Jurista de Brasília afirmam que o ministro Alexandre de Moraes não tem para onde correr, se for aberto uma investigação contra ele pelo STF.
Mas tudo indica que nada será feito. O que se viu na histórica e vergonhosa sessão do dia 15/09/26 – foi, nenhum resultado.
Tudo indica que ele vai permanecer no cargo, apesar da descoberta de suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o contrato com a esposa do ministro.
A perda do cargo dependeria de renúncia, impeachment ou de uma condenação definitiva que determinasse expressamente essa consequência.
Essa é a primeira vez que o Supremo Tribunal Federal tenta ‘cortar na própria carne’. E não consegue. Tudo indica que nada será feito até após as eleições.
Relatório da Polícia Federal trouxe uma série de mensagens (52) entre Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, e um contato identificado como Alexandre de Moraes.
O material apontou que Vorcaro tinha uma relação muito próxima com o ministro a ponto de consultá-lo sobre se deveria sair do país, para não ser preso.
Moraes também teria editado o documento da minuta do contrato entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o banco Master.

O contrato – revisado pelo próprio ministro – previa o pagamento de R$ 3 milhões por mês durante 36 meses.
Essa informação foi extraída pelos investigadores dos metadados do arquivo, a partir do celular de Vorcaro.
Alguns ministros culpam policiais federais ‘bolsonarista” de terem jogado Alexandre de Moraes na ‘fogueira’ e feito vazamentos seletivos.
Mas só o contrato já condena o ministro que teve um papel importante na defesa da democracia, por ocasião da tentativa de golpe orquestrada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas caiu em desgraça ao aceitar – via esposa – prestar serviços para um banqueiro corrupto.
Mendonça também deve
O relatório da PF veio a público após o ministro bolsonarista André Mendonça retirar o sigilo do material — cuja produção ele mesmo pediu à polícia.
Mendonça é relator do caso Master e chegou ao STF por indicação de Jair Bolsonaro. Agora corre o risco de também ser investigado pelo STF por abuso de autoridade e uso do cargo para favorecwer candidato de sua preferência.
Ele manipulou para ajudar a derrotar o presidente Lula e eleger Flavio Bolsonaro. Pesquisas, no entanto , dão Lula à frente, apesar dos escânda-los.
O procurador-geral Paulo Gonet pediu anulação do caso argumentando que Mendonça teria que ter consultado o plenário do STF antes de solicitar um relatório à PF para tentar incriminar uma colega.
Qualquer que seja o resultado deste caso – que pode nem ter resultado – quem perde é a nação.
A crise no Judiciário interfere na escolha dos próximos governantes, podendo produzir efeitos catastróficos.


























