Para internacionalista, a nova maioria no Congresso dos EUA pode questionar as tarifas sobre produtos brasileiros e cobrar explicações sobre a fuga de Flávio.
A vitória dos democratas na Câmara e no Senado dos Estados Unidos, nas eleições
de meio de mandato de terça-feira (3), dá à oposição mais poder para fiscalizar o
governo Donald Trump a partir de janeiro.
Na avaliação de Rafael Moredo, internacionalista pela FGV, especialista em Gestão Pública pelo Insper e coordenador de Políticas Públicas do Livres, a mudança pode afetar dois assuntos de interesse do Brasil: a negociação de tarifas e a atuação da Casa Branca no caso de Flávio Bolsonaro.
Em comunicado divulgado na quarta-feira (4) pelo Comitê de Finanças do Senado, o
senador democrata Ron Wyden afirmou que pretende ampliar a atuação do Congresso na
política comercial americana e contestar as tarifas impostas por Trump.
Moredo aponta que audiências e convocações de autoridades podem dar visibilidade aos efeitos das sobretaxas sobre consumidores e importadores americanos. “O Congresso pressiona, mas não resolve sozinho”, afirma.
Para o internacionalista, o avanço democrata em redutos republicanos como o Texas
mostra a dimensão do revés. Ele avalia que o custo de vida pesou na votação.
Nos dois anos finais do mandato, Trump terá de negociar o orçamento com a oposição, e suas indicações a cargos que dependem do aval do Senado poderão enfrentar mais resistência.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa,
afirmou na terça-feira (3) que espera receber até o início da próxima semana um documento com as propostas comerciais dos Estados Unidos.
O governo brasileiro deverá apresentar uma contraproposta após conhecer as demandas de Washington. “O Brasil tem ativos que interessam ao Trump, então eu imagino que isso vá pesar muito mais do que o alinhamento ideológico”, diz o internacionalista.
Ele cita o mercado consumidor brasileiro, o fornecimento de alimentos e minerais críticos como lítio e grafite. Na avaliação dele, o Brasil pode oferecer a redução de barreiras à entrada de produtos americanos em troca de alívio nas sobretaxas e condicionar parcerias em minerais ao processamento e à agregação de valor no país.
Caso Flávio
Em 29 de outubro, 25 deputados democratas enviaram uma carta ao secretário de
Estado, Marco Rubio, pedindo esclarecimentos sobre uma possível participação de
autoridades dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e em sua entrada no país.
Moredo avalia que um eventual apoio da Casa Branca à contestação do resultado
eleitoral brasileiro teria um custo político maior que a autorização para o senador
permanecer nos EUA.
Uma atuação mais direta do governo Trump, segundo ele, poderia provocar novas cobranças no Congresso e criar atritos com Brasília em meio às tratativas comerciais.
O Livres é uma organização civil que promove soluções liberais para o Brasil, atuando em três eixos: curadoria de políticas públicas, qualificação de lideranças e participação no debate público.
(Jangada Consultoria de Comunicação – Por Gabriela Moura)




























